Factoring é a opção de 135 mil empresários.
A solução é rápida e simples, sem burocracia e atende principalmente as pequenas empresas na hora do aperto.
25 de setembro de 2008
A solução é rápida e simples, sem burocracia e atende principalmente as pequenas empresas na hora do aperto: o desconto de duplicatas ou cheques pré-datados em operações de factoring. Essas transações, entretanto, têm um preço que às vezes pode ser muito elevado.
O termo inglês vem do latim - factor é aquele que promove, fomenta. A atividade do factoring, portanto, é antiga, acontecia já na Roma dos césares e na realidade nasceu com os fenícios a 1200 a.C. Atualmente é uma prática comum no Brasil, com cerca de setecentas empresas filiadas à associação do setor.
De acordo com Luiz Lemos Leite, presidente da Anfac (Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil ), o factoring movimentou 1,3 trilhão de euros nos cinco continentes no ano passado, sendo 900 bilhões de euros na Europa , 160 bilhões de euros nas Américas - cerca de 30 bilhões de euros (R$ 71 bilhões) no Brasil. É um segmento forte, com empresas que giram até R$ 100 milhões por mês. Cerca de 135 mil empresas recorrem ao factoring, principalmente pequenas e médias indústrias e empresas das áreas de comércio e prestação de serviços.
Não é uma operação de crédito, mas de fomento mercantil, afirma Leme, onde ocorre a transferência dos direitos de crédito que a empresa tem a um terceiro, que arca também com os riscos. Por isso as taxas ou remuneração pela transação são elevadas, superando as operações normais com as instituições financeiras.
As empresas de factoring atuam, principalmente, comprando duplicatas e cheques pré-datados, pagando o cliente na frente com a cobrança de uma taxa de prestação de serviços (1% ad valorem) e um desconto (fator de compra) médio de 3% ao mês. Um negócio bom para quem precisa de dinheiro imediato.
O presidente da Anfac garante que o setor pratica taxas acessíveis às pequenas empresas, que têm dificuldade de operar com os bancos. Para Daniel Gonçalves, sócio da Cumbica e da FourFactoring, comparando nominalmente a taxa do banco é menor, mas diz que o serviço é diferenciado. "O banco exige uma série de requisitos que as empresas têm dificuldade de atender, como limite de títulos com concentração, valor mínimo dos títulos, reciprocidades indiretas, aquisição de seguros, além de terem custos embutidos", afirma. "Para nós não interessa o passado da empresa, dados de balanço, olhamos não o cliente, mas principalmente o sacado. A garantia é o próprio título", garante.
O presidente da Anfac diz que o factoring é mal entendido, porque ficou muito ligado às operações de crédito, e declara que o setor vai além disso. "Factoring é uma operação complexa, que envolve também a gestão dos nossos clientes. Também fazemos operações de venda, compramos matéria-prima, realizamos a administração de contas a pagar e receber. Somos um setor com empresas consolidadas e estruturadas na área de gestão e repassamos essa filosofia para os clientes", enfatiza Leite..
Apesar das taxas elevadas, o setor cresce em média 20% ao ano e a inadimplência é baixa, na faixa dos 4%. Do total de 71 bilhões movimentados ano passado, as indústrias metalúrgicas ficaram com 26%, seguidas pelas lojas comerciais (17,25%) e prestadores de serviços (13,75%).
"Não vivemos a febre da Selic, aumentando nossas taxas pelos juros do Banco Central", diz Gonçalves. "Ganhamos no longo prazo". O especialista em matemática financeira José Dutra Sobrinho faz os cálculos reais de uma operação de factoring a seguir e adverte: a pequena empresa não sabe calcular juros, por isso os contratos têm que ser transparentes, com a projeção do juro efetivo.
A principal vantagem na operação é não gerar endividamento, pois trata-se da antecipação de receita. Para empresas com problemas de cadastro , este tipo de operação passa a ter uma maior importância, já que o factoring tem maior preocupação com a qualidade do título que está comprando (sacado) do que com a empresa que está vendendo. A principal desvantagem é que o custo da operação tende a ser maior que de uma operação de crédito. Na hora do aperto, no entanto, elas estão aí, com dinheiro na mão para quem quer trocar seus títulos.
fonte: Gazeta Mercantil
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